O filme tem o sugestivo nome de Casablanca. Tem o impagável Humphrey Bogart e a belíssima Ingrid Bergman no mais antológico filme made in Hollywood.
Vendo este filme, fica em mim a certeza que o coração e a mente do cinéfilo são modificados pela magia de uma história bem contada na telona. O caso de Casablanca é clássico. Sempre ouvi que no filme, Ingrid Bergman (Isla) se virava para Sam, o pianista, e dizia a célebre frase: - Play it again, Sam. No que o pianista Sam, magistralmente, ao piano, cantava a imortal As Time Goes By, sendo esta uma das falas mais famosas da história do cinema, atribuída a Casablanca.
Agora, vendo o filme, vejo que a frase não existe em Casablanca. O diálogo entre Ilsa e o pianista Sam do Café Americain é, na verdade, assim:
Ilsa: – “Play it, Sam. For old times’ sake.” (Toque, Sam. Pelos velhos tempos.)
Sam, mentindo mal pra burro: – “I don’t know what you mean, Miss Ilsa.” (Não sei do que está falando, Miss Ilsa.)
E aí a mulher mais linda a jamais aparecer numa tela de cinema, abrindo aquele sorriso que ninguém, nem o mais belo anjo de pintor renascentista jamais teve, diz: – “Play it, Sam. Play As Time Goes By.”
Pra mim, o momento máximo do cinema.


